Studios entram no radar de viajantes que buscam autonomia, localização e economia

Primeira experiência em uma locação pelo Airbnb durante viagem a São Paulo mostra como estrutura, mobilidade e liberdade podem mudar a escolha da hospedagem.

Redação Revista Receita Turismo | 06/10/2026

Studios entram no radar de viajantes que buscam autonomia, localização e economia

Studio em São Paulo reúne conforto, praticidade e estrutura completa para uma hospedagem mais autônoma. (Foto: Alexandre Richards / Revista Receita de Turismo)

De hotel a studio: uma experiência em São Paulo que mudou minha forma de escolher hospedagem

Acostumado aos hotéis tradicionais, testei pela primeira vez uma locação pelo Airbnb durante a ABAV Expo 2026. Autonomia, localização e uma diferença significativa de preço transformaram o que seria apenas uma estadia em uma nova maneira de pensar a hospedagem.


Viajar envolve uma sequência de escolhas. Como chegar, onde ficar, quanto gastar, como se locomover e até quanto tempo será perdido entre um compromisso e outro. Durante muitos anos, para mim, uma dessas respostas era praticamente automática: hospedagem significava hotel.

Na última viagem a São Paulo, durante a cobertura da ABAV Expo 2026, resolvi experimentar algo diferente. Pela primeira vez, reservei um apartamento studio pelo Airbnb.

E fui para essa experiência com as expectativas baixas.

Talvez por ter confundido informações de diferentes anúncios durante a pesquisa, cheguei a imaginar que encontraria uma estrutura bastante simples e até fiquei com a impressão de que o banheiro poderia ser compartilhado.

A realidade começou a mudar assim que passei pela entrada do prédio.

A primeira surpresa veio antes mesmo de abrir a porta

Encontrei um edifício moderno, organizado, com piscina, áreas de convivência e controle de acesso. Na portaria, identificação facial. No apartamento, fechadura eletrônica com senha.

Nada de chave para retirar. Nada de check-in tradicional. Nada de chegar ao balcão, preencher ficha ou esperar alguém liberar o quarto.

Eu simplesmente entrava.

Quando abri a porta do studio, veio a segunda surpresa.

Tudo era novo, bem cuidado e organizado com um capricho que normalmente associamos a uma boa hospedagem profissional. A cama era confortável, o banheiro tinha um bom chuveiro e o espaço estava preparado para receber o hóspede.

Sobre o pequeno balcão, pratos, copos, garfos e facas estavam arrumados. Na cozinha compacta havia geladeira, micro-ondas, air fryer, panela elétrica e os utensílios necessários para quem quisesse preparar alguma coisa.

Não era um hotel.

Mas, olhando exclusivamente para conforto e estrutura do apartamento, minha percepção foi de uma acomodação compatível com aquilo que eu esperaria encontrar em um bom hotel de categoria intermediária.

A diferença estava justamente na proposta.

Em vez de serviço, autonomia

Quando pensei no que havia sentido falta em comparação com um hotel, a resposta me surpreendeu: nada.

Na realidade, aconteceu o contrário.

Em um hotel existe uma operação ao redor do hóspede. Recepção, atendimento, solicitações, telefone, chave ou cartão, horários e serviços. Tudo isso pode ser extremamente importante dependendo da viagem e do perfil do viajante.

No studio, experimentei outra sensação: a de estar em casa.

Eu entrava e saía quando queria. Não precisava pedir nada a ninguém. E, quando precisava de alguma informação, o anfitrião, Marcelo, respondia rapidamente.

A autonomia apareceu inclusive em situações aparentemente pequenas.

Na madrugada da viagem para São Paulo, havia comprado um lanche e comido apenas metade. Pela manhã, coloquei o restante na air fryer por alguns minutos. O lanche voltou quente e crocante, quase como se tivesse acabado de sair da chapa.

Parece detalhe.

Mas detalhes assim começam a explicar por que esse formato de hospedagem pode funcionar tão bem para determinados viajantes.

Um pequeno mercado dentro do prédio

Na primeira noite, aconteceu outra situação que ajudou a mudar minha percepção.

Eu havia passado praticamente o dia inteiro trabalhando na feira. Entre a viagem, compromissos e cobertura jornalística, comi muito pouco. Quando voltei ao apartamento, já era tarde e não tive vontade de sair novamente para procurar um restaurante em uma região que ainda não conhecia bem.

Acabei ficando sem jantar.

Somente na manhã seguinte percebi que, próximo aos elevadores, havia um pequeno mercado autônomo.

Freezers e prateleiras ofereciam pizzas, lasanhas, lanches, bebidas, sucos e outros produtos. O próprio hóspede escolhia, pagava por cartão ou Pix e levava para o apartamento.

Com micro-ondas, air fryer e demais equipamentos disponíveis no studio, eu poderia ter resolvido o jantar sem sair do prédio e sem depender de atendimento.

Ali ficou ainda mais evidente uma característica desse modelo: autonomia.

Em São Paulo, localização também é dinheiro

Existe outro ponto que não pode ser ignorado quando se compara hospedagem em uma cidade como São Paulo: não basta olhar o valor da diária.

Uma acomodação aparentemente barata pode estar distante dos lugares que o viajante precisa frequentar. O que se economiza na hospedagem pode acabar sendo gasto em transporte — além do tempo perdido nos deslocamentos.

O studio onde fiquei estava a aproximadamente sete ou oito quilômetros do Expo Center Norte.

Em determinadas cidades, essa seria uma distância pequena. Em São Paulo, alguns quilômetros podem representar bastante tempo.

Mesmo assim, nos trajetos que fiz por aplicativo, normalmente levava cerca de 20 minutos, dependendo do trânsito.

A principal vantagem, porém, estava praticamente na porta.

Eu estava hospedado a poucos metros da Estação da Luz.

Em alguns dias, saí do prédio, peguei o metrô até a região do Terminal Tietê e de lá utilizei o transporte disponibilizado para a feira.

Isso abriu São Paulo.

A proximidade do metrô fazia com que a hospedagem não dependesse exclusivamente de automóvel ou aplicativo. Para uma cidade com as dimensões de São Paulo, essa facilidade pesa muito na escolha.

E o preço?

Aqui também é preciso cuidado para não transformar uma experiência individual em regra de mercado.

São Paulo possui hospedagens de praticamente todas as faixas de preço. Há desde acomodações muito simples até hotéis em que uma única diária pode custar milhares de reais.

Por isso, minha comparação foi feita apenas entre as opções que eu realmente estava considerando para aquela viagem.

Entre os hotéis que havia pesquisado antes da reserva, o studio representou uma redução aproximada de 50% a 60% no custo da hospedagem.

Não se trata de afirmar que um studio será sempre mais barato do que um hotel.

Mas, naquela viagem, foi.

E com uma estrutura que superou aquilo que eu esperava encontrar.

Uma mudança que vai além da minha experiência

Minha primeira hospedagem em um studio aconteceu dentro de um mercado que já ganhou dimensão relevante no turismo brasileiro.

Estudo da Fundação Getulio Vargas, encomendado pelo Airbnb, aponta que a atividade relacionada à plataforma movimentou mais de R$ 113 bilhões na economia brasileira em 2025, crescimento de 13% em relação ao ano anterior. A pesquisa estimou ainda contribuição próxima de R$ 63 bilhões ao PIB e mais de 700 mil postos de trabalho associados à atividade.

São Paulo ocupa posição importante nesse cenário.

Segundo a mesma linha de estudos, a atividade do Airbnb movimentou cerca de R$ 34 bilhões no Estado de São Paulo em 2025. Somente na capital, foram aproximadamente R$ 11 bilhões, 16% acima do resultado de 2024. O levantamento também informa que 40% dos hóspedes utilizaram a plataforma por motivos que iam além das férias, indicando a presença de viagens de negócios, eventos e outras motivações.

Os números precisam ser observados com a transparência necessária: o estudo foi realizado pela FGV, mas encomendado pelo próprio Airbnb.

Ainda assim, ajudam a dimensionar um fenômeno que já deixou de ser marginal no mercado de hospedagem.

E essa mudança pode avançar pelo interior

Depois da experiência em São Paulo, fiz algo que provavelmente não faria antes dessa viagem.

Comecei a procurar studios em outros destinos.

Todos os meses viajo para Elias Fausto, no interior paulista, por conta de trabalhos realizados no Café do Lago. Normalmente utilizo hotel na região.

Ao fazer uma primeira pesquisa em Indaiatuba, encontrei opções de studios com valores aproximadamente 25% a 30% inferiores aos do hotel que costumo utilizar.

Não aprofundei a comparação e, portanto, não considero esse percentual um dado de mercado. É apenas uma primeira observação de consumidor.

Mas ela mostra uma mudança concreta: agora, quando procurar hospedagem para uma viagem pessoal ou profissional em que não exista hotel previamente definido pela pauta, o studio será minha primeira pesquisa.

Essa discussão tende a se tornar ainda mais interessante no interior paulista à medida que novos atrativos criam fluxos de visitantes.

Um exemplo está em Itu.

O Cacau Park, empreendimento da Cacau Show em construção às margens da Rodovia Castelo Branco, tem investimento anunciado de R$ 2 bilhões e expectativa de receber aproximadamente 3 milhões de visitantes por ano, segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Itu. A própria Cacau Show informa atualmente que a inauguração está prevista para o final de 2027.

Um empreendimento dessa dimensão não movimenta apenas ingressos.

Ele aumenta a procura por restaurantes, transporte, comércio e, inevitavelmente, hospedagem em Itu e nas cidades do entorno.

Hotelaria tradicional e locação por temporada poderão disputar — e também complementar — essa nova demanda.

Antes de reservar, duas coisas fizeram diferença

Minha experiência foi excelente.

Mas uma boa experiência não significa que toda locação será igual.

Um hotel tradicional normalmente carrega histórico, marca, procedimentos e uma estrutura de atendimento mais facilmente identificável. Em uma locação particular, o viajante precisa fazer parte dessa avaliação antes da compra.

Depois da minha primeira experiência, dois cuidados parecem essenciais.

O primeiro é ler as avaliações.

Não apenas observar a nota geral, mas dedicar alguns minutos aos comentários de pessoas que já ficaram naquele imóvel.

O segundo é conversar com o anfitrião antes da reserva.

Perguntar.

No meu caso, quis saber quanto tempo levaria do studio até o Expo Center Norte. Marcelo estimou algo entre aproximadamente 15 minutos e meia hora, dependendo do trânsito.

Foi exatamente o que encontrei.

Mais do que conseguir uma resposta, aquela conversa mostrou outra coisa: a rapidez com que o anfitrião respondia.

Isso também ajuda a antecipar como poderá ser o atendimento caso algum problema apareça durante a hospedagem.

Uma viagem foi suficiente para mudar minha ordem de escolha

Eu fui para São Paulo acostumado a procurar hotel.

Voltei procurando studios.

Isso não significa abandonar a hotelaria tradicional. Existem viagens em que serviço, café da manhã, restaurante, recepção, estrutura corporativa e uma série de outras facilidades fazem toda diferença.

São propostas diferentes.

Mas aquela primeira experiência mostrou que existe uma alternativa que eu, apesar de viajar com frequência, ainda não havia experimentado.

No meu caso, encontrei conforto, localização, autonomia e economia no mesmo endereço.

Talvez a maior mudança provocada pela hospedagem tenha acontecido depois do check-out.

Antes, quando começava a organizar uma viagem, minha primeira pergunta era:

Qual hotel vou reservar?

Agora ela passou a ser outra:

Hotel ou studio?

E, depois da experiência de São Paulo, pela primeira vez o studio começa a busca na frente.

Receita de Turismo

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