De hotel a studio: uma experiência em São
Paulo que mudou minha forma de escolher hospedagem
Acostumado aos hotéis tradicionais, testei
pela primeira vez uma locação pelo Airbnb durante a ABAV Expo 2026. Autonomia, localização
e uma diferença significativa de preço transformaram o que seria apenas uma
estadia em uma nova maneira de pensar a hospedagem.
Viajar envolve uma sequência de escolhas. Como chegar, onde ficar,
quanto gastar, como se locomover e até quanto tempo será perdido entre um
compromisso e outro. Durante muitos anos, para mim, uma dessas respostas era
praticamente automática: hospedagem significava hotel.
Na última viagem a São Paulo, durante a cobertura da ABAV Expo 2026,
resolvi experimentar algo diferente. Pela primeira vez, reservei um apartamento
studio pelo Airbnb.
E fui para essa experiência com as expectativas baixas.
Talvez por ter confundido informações de diferentes anúncios durante
a pesquisa, cheguei a imaginar que encontraria uma estrutura bastante simples e
até fiquei com a impressão de que o banheiro poderia ser compartilhado.
A realidade começou a mudar assim que passei pela entrada do prédio.
A primeira surpresa veio antes mesmo de
abrir a porta
Encontrei um edifício moderno, organizado, com piscina, áreas de
convivência e controle de acesso. Na portaria, identificação facial. No
apartamento, fechadura eletrônica com senha.
Nada de chave para retirar. Nada de check-in tradicional. Nada de
chegar ao balcão, preencher ficha ou esperar alguém liberar o quarto.
Eu simplesmente entrava.
Quando abri a porta do studio, veio a segunda surpresa.
Tudo era novo, bem cuidado e organizado com um capricho que
normalmente associamos a uma boa hospedagem profissional. A cama era
confortável, o banheiro tinha um bom chuveiro e o espaço estava preparado para
receber o hóspede.
Sobre o pequeno balcão, pratos, copos, garfos e facas estavam
arrumados. Na cozinha compacta havia geladeira, micro-ondas, air fryer, panela
elétrica e os utensílios necessários para quem quisesse preparar alguma coisa.
Não era um hotel.
Mas, olhando exclusivamente para conforto e estrutura do
apartamento, minha percepção foi de uma acomodação compatível com aquilo que eu
esperaria encontrar em um bom hotel de categoria intermediária.
A diferença estava justamente na proposta.
Em vez de serviço, autonomia
Quando pensei no que havia sentido falta em comparação com um hotel,
a resposta me surpreendeu: nada.
Na realidade, aconteceu o contrário.
Em um hotel existe uma operação ao redor do hóspede. Recepção,
atendimento, solicitações, telefone, chave ou cartão, horários e serviços. Tudo
isso pode ser extremamente importante dependendo da viagem e do perfil do
viajante.
No studio, experimentei outra sensação: a de estar em casa.
Eu entrava e saía quando queria. Não precisava pedir nada a ninguém.
E, quando precisava de alguma informação, o anfitrião, Marcelo, respondia
rapidamente.
A autonomia apareceu inclusive em situações aparentemente pequenas.
Na madrugada da viagem para São Paulo, havia comprado um lanche e
comido apenas metade. Pela manhã, coloquei o restante na air fryer por alguns
minutos. O lanche voltou quente e crocante, quase como se tivesse acabado de
sair da chapa.
Parece detalhe.
Mas detalhes assim começam a explicar por que esse formato de
hospedagem pode funcionar tão bem para determinados viajantes.
Um pequeno mercado dentro do prédio
Na primeira noite, aconteceu outra situação que ajudou a mudar minha
percepção.
Eu havia passado praticamente o dia inteiro trabalhando na feira.
Entre a viagem, compromissos e cobertura jornalística, comi muito pouco. Quando
voltei ao apartamento, já era tarde e não tive vontade de sair novamente para
procurar um restaurante em uma região que ainda não conhecia bem.
Acabei ficando sem jantar.
Somente na manhã seguinte percebi que, próximo aos elevadores, havia
um pequeno mercado autônomo.
Freezers e prateleiras ofereciam pizzas, lasanhas, lanches, bebidas,
sucos e outros produtos. O próprio hóspede escolhia, pagava por cartão ou Pix e
levava para o apartamento.
Com micro-ondas, air fryer e demais equipamentos disponíveis no
studio, eu poderia ter resolvido o jantar sem sair do prédio e sem depender de
atendimento.
Ali ficou ainda mais evidente uma característica desse modelo:
autonomia.
Em São Paulo, localização também é
dinheiro
Existe outro ponto que não pode ser ignorado quando se compara
hospedagem em uma cidade como São Paulo: não basta olhar o valor da diária.
Uma acomodação aparentemente barata pode estar distante dos lugares
que o viajante precisa frequentar. O que se economiza na hospedagem pode acabar
sendo gasto em transporte — além do tempo perdido nos deslocamentos.
O studio onde fiquei estava a aproximadamente sete ou oito
quilômetros do Expo Center Norte.
Em determinadas cidades, essa seria uma distância pequena. Em São
Paulo, alguns quilômetros podem representar bastante tempo.
Mesmo assim, nos trajetos que fiz por aplicativo, normalmente levava
cerca de 20 minutos, dependendo do trânsito.
A principal vantagem, porém, estava praticamente na porta.
Eu estava hospedado a poucos metros da Estação da Luz.
Em alguns dias, saí do prédio, peguei o metrô até a região do
Terminal Tietê e de lá utilizei o transporte disponibilizado para a feira.
Isso abriu São Paulo.
A proximidade do metrô fazia com que a hospedagem não dependesse
exclusivamente de automóvel ou aplicativo. Para uma cidade com as dimensões de
São Paulo, essa facilidade pesa muito na escolha.
E o preço?
Aqui também é preciso cuidado para não transformar uma experiência individual
em regra de mercado.
São Paulo possui hospedagens de praticamente todas as faixas de
preço. Há desde acomodações muito simples até hotéis em que uma única diária
pode custar milhares de reais.
Por isso, minha comparação foi feita apenas entre as opções que eu
realmente estava considerando para aquela viagem.
Entre os hotéis que havia pesquisado antes da reserva, o studio
representou uma redução aproximada de 50% a 60% no custo da hospedagem.
Não se trata de afirmar que um studio será sempre mais barato do que
um hotel.
Mas, naquela viagem, foi.
E com uma estrutura que superou aquilo que eu esperava encontrar.
Uma mudança que vai além da minha
experiência
Minha primeira hospedagem em um studio aconteceu dentro de um
mercado que já ganhou dimensão relevante no turismo brasileiro.
Estudo da Fundação Getulio Vargas, encomendado pelo Airbnb, aponta
que a atividade relacionada à plataforma movimentou mais de R$ 113 bilhões na
economia brasileira em 2025, crescimento de 13% em relação ao ano anterior. A
pesquisa estimou ainda contribuição próxima de R$ 63 bilhões ao PIB e mais de
700 mil postos de trabalho associados à atividade.
São Paulo ocupa posição importante nesse cenário.
Segundo a mesma linha de estudos, a atividade do Airbnb movimentou cerca
de R$ 34 bilhões no Estado de São Paulo em 2025. Somente na capital, foram
aproximadamente R$ 11 bilhões, 16% acima do resultado de 2024. O levantamento
também informa que 40% dos hóspedes utilizaram a plataforma por motivos que iam
além das férias, indicando a presença de viagens de negócios, eventos e outras
motivações.
Os números precisam ser observados com a transparência necessária: o
estudo foi realizado pela FGV, mas encomendado pelo próprio Airbnb.
Ainda assim, ajudam a dimensionar um fenômeno que já deixou de ser
marginal no mercado de hospedagem.
E essa mudança pode avançar pelo interior
Depois da experiência em São Paulo, fiz algo que provavelmente não
faria antes dessa viagem.
Comecei a procurar studios em outros destinos.
Todos os meses viajo para Elias Fausto, no interior paulista, por
conta de trabalhos realizados no Café do Lago. Normalmente utilizo hotel na
região.
Ao fazer uma primeira pesquisa em Indaiatuba, encontrei opções de
studios com valores aproximadamente 25% a 30% inferiores aos do hotel que
costumo utilizar.
Não aprofundei a comparação e, portanto, não considero esse
percentual um dado de mercado. É apenas uma primeira observação de consumidor.
Mas ela mostra uma mudança concreta: agora, quando procurar
hospedagem para uma viagem pessoal ou profissional em que não exista hotel
previamente definido pela pauta, o studio será minha primeira pesquisa.
Essa discussão tende a se tornar ainda mais interessante no interior
paulista à medida que novos atrativos criam fluxos de visitantes.
Um exemplo está em Itu.
O Cacau Park, empreendimento da Cacau Show em construção às margens
da Rodovia Castelo Branco, tem investimento anunciado de R$ 2 bilhões e
expectativa de receber aproximadamente 3 milhões de visitantes por ano, segundo
informações divulgadas pela Prefeitura de Itu. A própria Cacau Show informa
atualmente que a inauguração está prevista para o final de 2027.
Um empreendimento dessa dimensão não movimenta apenas ingressos.
Ele aumenta a procura por restaurantes, transporte, comércio e,
inevitavelmente, hospedagem em Itu e nas cidades do entorno.
Hotelaria tradicional e locação por temporada poderão disputar — e
também complementar — essa nova demanda.
Antes de reservar, duas coisas fizeram
diferença
Minha experiência foi excelente.
Mas uma boa experiência não significa que toda locação será igual.
Um hotel tradicional normalmente carrega histórico, marca,
procedimentos e uma estrutura de atendimento mais facilmente identificável. Em
uma locação particular, o viajante precisa fazer parte dessa avaliação antes da
compra.
Depois da minha primeira experiência, dois cuidados parecem
essenciais.
O primeiro é ler as avaliações.
Não apenas observar a nota geral, mas dedicar alguns minutos aos
comentários de pessoas que já ficaram naquele imóvel.
O segundo é conversar com o anfitrião antes da reserva.
Perguntar.
No meu caso, quis saber quanto tempo levaria do studio até o Expo
Center Norte. Marcelo estimou algo entre aproximadamente 15 minutos e meia
hora, dependendo do trânsito.
Foi exatamente o que encontrei.
Mais do que conseguir uma resposta, aquela conversa mostrou outra
coisa: a rapidez com que o anfitrião respondia.
Isso também ajuda a antecipar como poderá ser o atendimento caso
algum problema apareça durante a hospedagem.
Uma viagem foi suficiente para mudar minha
ordem de escolha
Eu fui para São Paulo acostumado a procurar hotel.
Voltei procurando studios.
Isso não significa abandonar a hotelaria tradicional. Existem
viagens em que serviço, café da manhã, restaurante, recepção, estrutura
corporativa e uma série de outras facilidades fazem toda diferença.
São propostas diferentes.
Mas aquela primeira experiência mostrou que existe uma alternativa
que eu, apesar de viajar com frequência, ainda não havia experimentado.
No meu caso, encontrei conforto, localização, autonomia e economia
no mesmo endereço.
Talvez a maior mudança provocada pela hospedagem tenha acontecido
depois do check-out.
Antes, quando começava a organizar uma viagem, minha primeira
pergunta era:
Qual hotel vou reservar?
Agora ela passou a ser outra:
Hotel ou studio?
E, depois da experiência de São Paulo, pela primeira vez o studio
começa a busca na frente.