ABAV Expo 2026 coloca São Paulo no centro do turismo brasileiro
Recordes, novos investimentos e o desafio de fazer o crescimento chegar aos pequenos negócios marcam a abertura da feira
Redação Revista Receita Turismo | 03/10/2026
ABAV Expo deixa São Paulo com negócios em
movimento e confiança no futuro do turismo
Em três dias de feira, a
Receita de Turismo encontrou corredores movimentados, atendimento preparado e
novas pautas enquanto o balanço parcial registrou 35.205 participantes e 2.510
reuniões agendadas.
Por Alexandre Richards |
Receita de Turismo
Saí da ABAV Expo 2026 com
uma sensação clara: há disposição para crescer. Entre as feiras de que já
participei, esta talvez tenha sido a melhor. Nas conversas com profissionais,
destinos e empresas, encontrei entusiasmo e perspectivas positivas para os
próximos anos, mesmo diante das incertezas políticas e econômicas no Brasil e
no mundo.
Essa é a impressão que
trouxe dos três dias de cobertura no Expo Center Norte, em São Paulo. A 53ª
edição, realizada de 30 de setembro a 2 de outubro, reuniu gente preparada para
atender, apresentar produtos e construir relacionamentos. Os corredores cheios
ajudavam a compor o cenário, mas a qualidade das conversas foi o que deu
sentido à experiência.
Segundo a ABAV Nacional, o
balanço parcial, apurado até as 15h do último dia, contabilizou 35.205
participantes e mais de 2 mil marcas. A expectativa divulgada antes da feira
era superar 40 mil participantes; a contagem apresentada no encerramento ainda
não abrangia todas as horas de funcionamento. Na minha percepção, o movimento
foi muito bom e a feira manteve uma atmosfera de trabalho e oportunidades.
A quarta-feira, 30 de
setembro, começou com a cerimônia oficial de abertura, que reuniu autoridades e
lideranças do turismo. O Quinteto de Metais do Theatro Municipal de São Paulo e
os Demônios da Garoa levaram a cultura paulistana à solenidade. Depois do corte
da fita, a circulação nos dois pavilhões deu início à agenda de exposição e
encontros.
Segundo a ABAV Nacional,
as rodadas do primeiro dia aproximaram compradores internacionais de destinos e
empresas brasileiras. A programação incluiu encontros com o Feel Brasil e com
iniciativas de afroturismo e etnoturismo, além da apresentação da oferta
paulista aos mercados estrangeiros. Estado e Município de São Paulo foram os
destinos anfitriões desta edição.
Nas quatro arenas do ABAV
Talks, os debates passaram por diversidade e inclusão, turismo esportivo,
experiências e desenvolvimento das comunidades. A Copa do Mundo Feminina de
2027 apareceu como oportunidade de conectar o esporte à descoberta de destinos,
gastronomia e cultura brasileira.
Na quinta-feira, 1º de
outubro, a programação avançou na aproximação entre quem desenvolve produtos
turísticos e quem os comercializa. A programação incluiu reuniões entre
compradores internacionais e experiências apoiadas pelo Sebrae, lançamentos e capacitação
de agentes de viagens.
Entre as experiências
apresentadas estavam os Quintais Gastronômicos da Rota dos Ventos, no Ceará; a
Amazônia Beradeira, em Rondônia; a Rota Viva Veadeiros, na Chapada dos
Veadeiros; os cafés especiais da Serra da Canastra, em Minas Gerais; e a
Georrota dos Cânions do Sul. São exemplos de como produtores, comunidades e
empreendedores podem organizar seus saberes e atrativos em experiências que
chegam ao mercado.
A agenda internacional
trouxe propostas para ampliar o repertório das agências, com apresentações de
destinos como Peru, Uruguai, Costa Rica, China e Canadá. O turismo receptivo e
o turismo de base comunitária também estiveram nos debates, enquanto São Paulo
apresentou sua diversidade de cultura, gastronomia, natureza e lazer.
A sexta-feira, 2 de
outubro, reuniu os resultados parciais da edição e discussões sobre
inteligência artificial, turismo regenerativo, empreendedorismo feminino,
comunicação e turismo de fé. O balanço oficial informou 50 atividades e 120
palestrantes no ABAV Talks, além da participação de 29 empresas no segmento de
tecnologia.
Foram registradas 2.510
reuniões de negócios previamente agendadas, número que não inclui os encontros
espontâneos nos estandes. O ABAV Buyers Club reuniu 30 compradores
internacionais e 20 empresas brasileiras especializadas em organizar serviços e
experiências nos destinos. A organização também contou com um programa que
levou 520 agentes de viagens convidados à feira — esse número representa apenas
os participantes do programa, e não o total de agentes presentes. Entre todos
os visitantes, 35% vieram de fora do Estado de São Paulo.
Na pesquisa apresentada
pela organização, 82,5% dos expositores consideraram o perfil dos visitantes
adequado ao público de seus negócios. Outros 91,3% avaliaram como boa ou
excelente a expectativa de negócios a partir das reuniões, e 96% manifestaram
intenção de voltar a expor em 2027. São indicadores de percepção e expectativa
comercial, que ajudam a compreender o ambiente da feira e cujos desdobramentos
serão conhecidos depois dos encontros.
Para quem estava
trabalhando na cobertura, a organização fez diferença. Encontrei uma sala de
imprensa confortável, bem estruturada e com apoio para a rotina dos
jornalistas. O espaço dos criadores de conteúdo também teve movimento, e foi
frequente encontrar profissionais produzindo vídeos pelos corredores.
O atendimento da
assessoria de imprensa merece registro, especialmente o de Regiane Tosatti.
Desde os primeiros contatos, minhas solicitações foram respondidas prontamente.
A agilidade continuou até o encerramento: na mesma noite do último dia, a
assessoria já havia enviado à Receita de Turismo o balanço da edição.
Outro detalhe que me
chamou a atenção foi o uso de fones de ouvido nas atividades das arenas. Mesmo
com diferentes palestras acontecendo no mesmo ambiente, era possível acompanhar
o conteúdo com tranquilidade. As arenas São Paulo, Ibirapuera, Paulista e
Liberdade compuseram essa estrutura de capacitação.
Portas abertas para a
Receita de Turismo
Esta foi, na minha
avaliação, a maior cobertura que a Receita de Turismo já realizou em uma feira.
Estivemos presentes nos três dias, acompanhando boa parte da programação e
aproveitando as oportunidades de conversa. Voltei com contatos e possibilidades
de reportagens em Santa Catarina, Minas Gerais, Tocantins, Jalapão e outros
destinos.
A Secretaria de Turismo de
São Paulo mostrou abertura para desenvolvermos a quinta edição da revista com
São Paulo como tema central. Os encontros com representantes do turismo
catarinense também foram produtivos e abriram um canal direto com a assessoria
de imprensa.
O volume de material e de
contatos permite estruturar praticamente toda a próxima edição. Agora, o
trabalho passa por organizar as pautas, aprofundar as informações e avaliar o
que ainda precisa ser acrescentado. É um resultado editorial concreto de estar
presente, ouvir e estabelecer relações.
Embora eu não tenha
participado das rodadas de negócios, observei a movimentação e as salas cheias
ao longo do dia. Essa percepção se soma às conversas que tivemos nos estandes e
ajuda a explicar por que a feira deixou uma impressão tão positiva para a
Receita de Turismo.
Uma cena ajuda a traduzir
o valor de um encontro presencial como este. Vi um usuário da PassHub utilizar
uma ferramenta apresentada pela empresa para conduzir, pelo WhatsApp, a compra
de uma passagem aérea em poucos minutos. A reação dele demonstrava o interesse
em uma solução que estava sendo experimentada ali, junto de quem a desenvolve.
A PassHub apresentou uma
interface de inteligência artificial pelo WhatsApp que, segundo a empresa,
permite solicitar cotações por áudio e encaminhar mensagens de clientes. Para o
agente, conhecer esse tipo de ferramenta pessoalmente abre espaço para
perguntar, observar e entender como ela pode entrar na rotina da agência.
Acredito que os canais
digitais terão uma presença cada vez maior no futuro do turismo, sem que o
atendimento físico necessariamente desapareça. Inteligência artificial e novas
formas de interação ampliam as possibilidades do setor. Ao mesmo tempo, o
encontro com as pessoas por trás dessas soluções continua fazendo diferença na
compreensão do que está mudando.
Para jornalistas, agentes
de viagens, empreendedores e profissionais em busca de parceiros, a ABAV Expo
concentra oportunidades difíceis de reunir em uma única agenda. É possível
conversar com lideranças públicas, representantes de destinos, empresas e
desenvolvedores de tecnologia, além de conhecer o que o mercado está
preparando.
Para a imprensa, três dias
podem render pautas para muitos meses. Para as agências, podem significar novos
produtos, ferramentas e relações comerciais. Para os destinos, é a chance de
apresentar suas experiências a quem pode levá-las aos viajantes.
A feira terminou, mas o
trabalho que ela abriu está começando. No caso da Receita de Turismo, voltamos
com uma próxima edição para organizar e muitas histórias para contar. Essa é a
melhor medida da sensação que trouxe de São Paulo: confiança no que o turismo
pode construir nos próximos anos.
Receita de Turismo
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