AVIRRP 2026 confirma a força de Ribeirão Preto no turismo brasileiro
Feira reuniu agentes de viagens, destinos, operadoras e lideranças do setor, abriu espaço para novos segmentos e confirmou a força do interior paulista como mercado emissor.
Redação Revista Receita de Turismo | 27/08/2026
Capacitação promovida pela Visual Turismo e pela Paraíba reuniu cerca de 500 agentes de viagens durante a AVIRRP 2026, em Ribeirão Preto. (Divulgação / Visual Turismo e Paraíba)
RESULTADOS E NÚMEROS
O que a AVIRRP 2026 deixou para o turismo depois que os corredores se esvaziaram
Balanço final revela o alcance de uma edição marcada pela presença nacional, pela formação dos agentes e por conversas que continuam depois do evento.
6.315 participantes | 313 marcas | 81 expositores | 750 agentes capacitados |
Por Alexandre Richards | Revista Receita de Turismo
Uma feira de turismo não termina quando o último estande é desmontado. Termina para quem deixa o pavilhão, mas começa outra vez na agenda do agente de viagens, na proposta que será retomada na segunda-feira e no destino que, depois de uma conversa, passa a fazer parte de uma próxima venda.
Foi somente depois que o Centro de Eventos Taiwan voltou à rotina que a AVIRRP apresentou o retrato completo de sua 28ª edição. Os indicadores oficiais ajudam a medir o alcance do encontro realizado em Ribeirão Preto, mas não contam sozinhos o que aconteceu ali. Para compreender a feira, é preciso observar para onde essas conexões seguiram.
Uma feira que se espalhou para além de Ribeirão Preto
Profissionais chegaram em 27 caravanas vindas de diferentes regiões do Brasil. Cada grupo trouxe experiências de mercados distintos e, ao retornar, levou consigo novos contatos, produtos e destinos. É nesse movimento de ida e volta que a AVIRRP amplia sua presença: a feira acontece em Ribeirão Preto, mas o conhecimento compartilhado não permanece na cidade.
Os dois pavilhões, instalados em uma área de 9 mil metros quadrados, aproximaram diferentes partes da cadeia turística. Destinos conversaram com quem vende viagens; operadores apresentaram produtos a quem conhece o passageiro; empresas encontraram profissionais que atendem consumidores muito além dos grandes centros. A geografia da feira não estava apenas nos mapas expostos. Estava na origem de quem chegou e no alcance de quem voltou para casa.
O número que continua trabalhando depois da feira
A capacitação profissional foi uma das marcas desta edição. O valor desse trabalho aparece quando o agente deixa de ser tratado apenas como público e passa a ocupar o lugar que realmente possui: o de elo entre tudo o que foi apresentado na feira e o viajante que ainda está escolhendo para onde ir.
Na manhã de sábado, o Salão Esmeralda recebeu uma atividade promovida pela Visual Turismo e pela Paraíba. Cerca de 500 profissionais participaram da programação. O conteúdo apresentado ali não se encerrou com o almoço de confraternização. Seguiu com cada agente que voltou à sua agência mais preparado para explicar um roteiro, responder a uma dúvida ou apresentar ao cliente uma possibilidade que antes não conhecia.
Essa é uma medida de resultado que dificilmente aparece por inteiro em um balanço. Uma capacitação pode durar poucas horas, mas sua utilidade reaparece muitas vezes, em diferentes atendimentos, cidades e decisões de viagem.
Menos pressa, mais profundidade
O Espaço Luxury – Cruise Collection by Velle propôs uma dinâmica diferente da circulação tradicional pelos corredores. Reuniões agendadas colocaram agentes e representantes de aproximadamente dez marcas internacionais de luxo diante de uma conversa com mais tempo, reserva e profundidade.
O formato faz sentido porque produtos de alto padrão dificilmente se explicam em uma passagem rápida pelo estande. Eles exigem conhecimento, escuta e capacidade de compreender o perfil do viajante. Ao reservar tempo para esse encontro, a AVIRRP testou uma experiência na qual a qualidade da conversa passou a valer mais do que a quantidade de contatos acumulados.
A direção da entidade já indicou que pretende ampliar o espaço em 2027 e estudar agendas individuais para outros expositores. A ideia ainda pertence à próxima edição, mas nasce de uma constatação deixada por esta: algumas oportunidades precisam de menos ruído ao redor e mais atenção à mesa.
O cuidado necessário ao interpretar o balanço
Os dados divulgados demonstram alcance, presença de mercado e investimento em formação. Eles não informam, entretanto, o volume financeiro negociado nem quantas vendas poderão ser atribuídas ao evento. A Receita de Turismo não transforma circulação em faturamento presumido. Sem levantamento específico, qualquer valor seria apenas uma projeção sem base confirmada.
Isso não reduz a importância dos resultados. Apenas coloca cada informação em seu lugar. A AVIRRP mostrou capacidade de convocar o turismo para o interior paulista e criar encontros entre quem apresenta, quem comercializa e quem ajuda o passageiro a decidir. O efeito econômico dessas relações poderá aparecer com o tempo; o que o balanço já comprova é que elas aconteceram em escala relevante.
O resultado que ainda está em movimento
A cobertura anterior da Receita de Turismo mostrou a feira enquanto ela acontecia: os corredores ocupados, as novidades, as capacitações e os encontros. Esta segunda reportagem olha para o que permaneceu depois dela.
Permaneceram as informações levadas para outras cidades, os destinos que entraram no repertório dos agentes e as conversas que ainda poderão virar roteiros, vendas e novas parcerias. Os portões do Taiwan se fecharam. O resultado da AVIRRP 2026, porém, ainda está viajando.