Google faz
28 anos: quando viajar pelo mundo começou antes mesmo de sair de casa
De
uma simples caixa de busca aos mapas, imagens em 360 graus e inteligência
artificial, o Google transformou nossa relação com os destinos e fez a viagem
começar muito antes do embarque
Por
Bella Trip | Receita de Turismo
Você consegue imaginar organizar uma viagem
sem abrir o Google nenhuma vez?
Pode até conseguir. Mas provavelmente vai
dar um pouco mais de trabalho.
Neste 27 de setembro, o Google comemora 28
anos. E olhar para essas quase três décadas é perceber que não mudou apenas a
maneira como procuramos uma informação. Mudou também a maneira como conhecemos
o mundo.
Antes do Google, uma viagem começava de
outro jeito. Guias impressos, mapas de papel, revistas, agências de viagens,
telefonemas para hotéis e aquela indicação preciosa de alguém que já tinha ido
ao destino faziam parte do planejamento.
Tudo isso continua tendo seu valor —
principalmente a boa informação e a experiência de quem realmente conhece um
lugar. O que mudou radicalmente foi a quantidade de mundo que passou a caber
diante de uma tela.
Quando o
mundo ficou mais perto
Digite o nome de uma cidade que você nunca
visitou.
Em poucos segundos, você pode descobrir
onde ela fica, calcular a distância, procurar hotéis, encontrar restaurantes,
conhecer atrações, ler avaliações e visualizar ruas.
Quer ir um pouco além?
É possível praticamente caminhar pelo
destino antes de chegar lá.
O Street View nasceu em 2007 e levou essa
experiência a outro patamar. Em 2022, quando a ferramenta completou 15 anos, o
Google informava já possuir mais de 220 bilhões de imagens de mais de 100
países e territórios.
Foi quando uma coisa curiosa aconteceu com
a gente, viajante: começamos a conhecer lugares onde nossos pés nunca pisaram.
Aquela ruazinha em Paris. Uma estrada no
interior da Itália. A fachada do hotel reservado para as férias. A entrada
daquele restaurante que alguém indicou. Uma praça de uma pequena cidade
brasileira que até ontem você nem sabia que existia.
De repente, viajar sem sair de casa deixou
de ser apenas força de expressão.
Primeiro a
gente pesquisa. Depois começa a sonhar.
Talvez uma das maiores mudanças provocadas
por essa revolução não esteja no mapa, mas na nossa cabeça.
Quantas viagens começaram com uma pesquisa
aparentemente inocente?
“Praias tranquilas no Nordeste.”
“Cidade romântica perto de São Paulo.”
“O que fazer em Minas Gerais em três dias?”
“Restaurantes perto de mim.”
Você entrou procurando uma informação e,
meia hora depois, já estava olhando hotel.
Quem nunca?
O Google ajudou a transformar a pesquisa em
uma das primeiras etapas da experiência turística. Muitas vezes, antes da mala,
da passagem e da reserva, existe uma busca.
E isso abriu espaço também para lugares que
antes dificilmente chegariam ao conhecimento de milhões de pessoas.
Uma pequena pousada, uma cachoeira
escondida, um café no interior, uma comunidade, um restaurante familiar ou uma
cidade fora dos grandes roteiros passaram a ter a possibilidade de aparecer
justamente diante de alguém procurando o que eles oferecem.
Para o turismo, isso é uma mudança enorme.
O mapa
deixou de ser apenas mapa
Para quem nasceu acostumado a colocar um
endereço no celular e simplesmente seguir aquela linha azul, talvez seja
difícil imaginar a aventura que já foi chegar a alguns lugares.
Errar entrada. Parar no posto. Perguntar
para alguém.
— É depois da igreja ou antes da ponte?
E torcer para ter entendido a explicação.
O Google Maps foi lançado em 2005. O Street
View chegou em 2007 e a navegação curva a curva ao Maps em 2009.
Aos poucos, o mapa deixou de mostrar apenas
onde estamos e passou a participar de como viajamos.
Hoje ele ajuda a encontrar
estabelecimentos, visualizar fotografias, verificar avaliações, analisar
trajetos e explorar um destino.
Em 2026, essa relação avançou novamente. O
Google anunciou no Brasil o recurso Pergunte ao Maps, combinando os mapas com
os modelos Gemini para permitir buscas feitas praticamente como uma conversa.
E agora
chegou a inteligência artificial
Se os primeiros anos do Google foram
marcados pela missão de encontrar informação, a nova transformação parece estar
em fazer alguma coisa com toda essa informação.
E o turismo é um ótimo exemplo.
Em agosto deste ano, o Google anunciou
novos recursos do Modo IA da Busca voltados especificamente às viagens. A
ferramenta pode utilizar informações em tempo real para comparar voos e hotéis,
procurar recomendações e ajudar a construir itinerários. O acompanhamento de
preços do Google Voos também está sendo integrado à experiência conversacional.
O Gemini segue pelo mesmo caminho,
utilizando informações de serviços como Google Maps, Flights e Hotels para
ajudar na criação de roteiros personalizados.
Os próprios hábitos de pesquisa mostram que
essa mudança já começou.
Dados divulgados pelo Google em 2026
apontaram crescimento de 350% em um ano no interesse de busca por termos como
“AI travel assistant” e “AI concierge”. As pesquisas relacionadas a “AI flight
booking” cresceram 315%.
Talvez estejamos entrando em uma nova etapa
da mesma história.
Primeiro perguntávamos:
Onde fica?
Depois:
Como eu chego?
Agora podemos perguntar:
Monte uma viagem para mim.
Mas existe
uma coisa que o Google ainda não consegue fazer por você
Sentir.
E talvez seja justamente aí que esteja a
parte mais bonita dessa história.
Podemos visualizar uma cachoeira em 360
graus. Descobrir qual restaurante está mais bem avaliado. Ver a rua do hotel.
Calcular o percurso. Traduzir outro idioma. Comparar passagens e até pedir
ajuda à inteligência artificial para montar o roteiro.
Mas nenhuma tela reproduz completamente o
vento no rosto, o cheiro de uma comida chegando à mesa, uma conversa inesperada
com alguém do lugar ou aquela sensação difícil de explicar quando finalmente
estamos diante de uma paisagem que vimos dezenas de vezes pela internet.
Tecnologia não precisa substituir a viagem.
Pode fazer justamente o contrário:
despertar a vontade de viajar.
28 anos
depois
Talvez seja exagero estabelecer uma única
data para dividir o mundo entre antes e depois da internet. A transformação
digital foi construída por muitas tecnologias, empresas e pessoas.
Mas é difícil olhar para os últimos 28 anos
sem reconhecer o tamanho da mudança que o Google ajudou a provocar na maneira
como encontramos informação — e, consequentemente, na maneira como descobrimos
lugares.
O mundo não ficou menor.
Nós é que ganhamos novas formas de
enxergá-lo.
Hoje podemos atravessar oceanos pela tela,
caminhar virtualmente por cidades onde nunca estivemos e descobrir um pequeno
destino a milhares de quilômetros de distância.
Mas depois de toda essa tecnologia,
continua existindo um botão que nenhuma inteligência artificial consegue
apertar por nós:
sair de casa.
Porque pesquisar desperta a curiosidade.
Conhecer pela tela inspira.
Mas viajar...
Viajar ainda precisa ser vivido.
Bella Trip — Caminhei, Vivi, Contei.