Google aos 28: a ferramenta que colocou o mundo na palma da nossa mão

Da busca ao Maps, do Street View à inteligência artificial: em 28 anos, o Google também transformou a maneira como descobrimos destinos, planejamos roteiros e começamos uma viagem.

Revista Receita Turismo | 27/09/2026

Google aos 28: a ferramenta que colocou o mundo na palma da nossa mão

Aos 28 anos, o Google faz parte da jornada do viajante, da descoberta de um destino ao planejamento da viagem. (Receita de Turismo / Imagem ilustrativa)

Google faz 28 anos: quando viajar pelo mundo começou antes mesmo de sair de casa

De uma simples caixa de busca aos mapas, imagens em 360 graus e inteligência artificial, o Google transformou nossa relação com os destinos e fez a viagem começar muito antes do embarque

Por Bella Trip | Receita de Turismo

Você consegue imaginar organizar uma viagem sem abrir o Google nenhuma vez?

Pode até conseguir. Mas provavelmente vai dar um pouco mais de trabalho.

Neste 27 de setembro, o Google comemora 28 anos. E olhar para essas quase três décadas é perceber que não mudou apenas a maneira como procuramos uma informação. Mudou também a maneira como conhecemos o mundo.

Antes do Google, uma viagem começava de outro jeito. Guias impressos, mapas de papel, revistas, agências de viagens, telefonemas para hotéis e aquela indicação preciosa de alguém que já tinha ido ao destino faziam parte do planejamento.

Tudo isso continua tendo seu valor — principalmente a boa informação e a experiência de quem realmente conhece um lugar. O que mudou radicalmente foi a quantidade de mundo que passou a caber diante de uma tela.

Quando o mundo ficou mais perto

Digite o nome de uma cidade que você nunca visitou.

Em poucos segundos, você pode descobrir onde ela fica, calcular a distância, procurar hotéis, encontrar restaurantes, conhecer atrações, ler avaliações e visualizar ruas.

Quer ir um pouco além?

É possível praticamente caminhar pelo destino antes de chegar lá.

O Street View nasceu em 2007 e levou essa experiência a outro patamar. Em 2022, quando a ferramenta completou 15 anos, o Google informava já possuir mais de 220 bilhões de imagens de mais de 100 países e territórios.

Foi quando uma coisa curiosa aconteceu com a gente, viajante: começamos a conhecer lugares onde nossos pés nunca pisaram.

Aquela ruazinha em Paris. Uma estrada no interior da Itália. A fachada do hotel reservado para as férias. A entrada daquele restaurante que alguém indicou. Uma praça de uma pequena cidade brasileira que até ontem você nem sabia que existia.

De repente, viajar sem sair de casa deixou de ser apenas força de expressão.

Primeiro a gente pesquisa. Depois começa a sonhar.

Talvez uma das maiores mudanças provocadas por essa revolução não esteja no mapa, mas na nossa cabeça.

Quantas viagens começaram com uma pesquisa aparentemente inocente?

“Praias tranquilas no Nordeste.”
“Cidade romântica perto de São Paulo.”
“O que fazer em Minas Gerais em três dias?”
“Restaurantes perto de mim.”

Você entrou procurando uma informação e, meia hora depois, já estava olhando hotel.

Quem nunca?

O Google ajudou a transformar a pesquisa em uma das primeiras etapas da experiência turística. Muitas vezes, antes da mala, da passagem e da reserva, existe uma busca.

E isso abriu espaço também para lugares que antes dificilmente chegariam ao conhecimento de milhões de pessoas.

Uma pequena pousada, uma cachoeira escondida, um café no interior, uma comunidade, um restaurante familiar ou uma cidade fora dos grandes roteiros passaram a ter a possibilidade de aparecer justamente diante de alguém procurando o que eles oferecem.

Para o turismo, isso é uma mudança enorme.

O mapa deixou de ser apenas mapa

Para quem nasceu acostumado a colocar um endereço no celular e simplesmente seguir aquela linha azul, talvez seja difícil imaginar a aventura que já foi chegar a alguns lugares.

Errar entrada. Parar no posto. Perguntar para alguém.

— É depois da igreja ou antes da ponte?

E torcer para ter entendido a explicação.

O Google Maps foi lançado em 2005. O Street View chegou em 2007 e a navegação curva a curva ao Maps em 2009.

Aos poucos, o mapa deixou de mostrar apenas onde estamos e passou a participar de como viajamos.

Hoje ele ajuda a encontrar estabelecimentos, visualizar fotografias, verificar avaliações, analisar trajetos e explorar um destino.

Em 2026, essa relação avançou novamente. O Google anunciou no Brasil o recurso Pergunte ao Maps, combinando os mapas com os modelos Gemini para permitir buscas feitas praticamente como uma conversa.

E agora chegou a inteligência artificial

Se os primeiros anos do Google foram marcados pela missão de encontrar informação, a nova transformação parece estar em fazer alguma coisa com toda essa informação.

E o turismo é um ótimo exemplo.

Em agosto deste ano, o Google anunciou novos recursos do Modo IA da Busca voltados especificamente às viagens. A ferramenta pode utilizar informações em tempo real para comparar voos e hotéis, procurar recomendações e ajudar a construir itinerários. O acompanhamento de preços do Google Voos também está sendo integrado à experiência conversacional.

O Gemini segue pelo mesmo caminho, utilizando informações de serviços como Google Maps, Flights e Hotels para ajudar na criação de roteiros personalizados.

Os próprios hábitos de pesquisa mostram que essa mudança já começou.

Dados divulgados pelo Google em 2026 apontaram crescimento de 350% em um ano no interesse de busca por termos como “AI travel assistant” e “AI concierge”. As pesquisas relacionadas a “AI flight booking” cresceram 315%.

Talvez estejamos entrando em uma nova etapa da mesma história.

Primeiro perguntávamos:
Onde fica?

Depois:
Como eu chego?

Agora podemos perguntar:
Monte uma viagem para mim.

Mas existe uma coisa que o Google ainda não consegue fazer por você

Sentir.

E talvez seja justamente aí que esteja a parte mais bonita dessa história.

Podemos visualizar uma cachoeira em 360 graus. Descobrir qual restaurante está mais bem avaliado. Ver a rua do hotel. Calcular o percurso. Traduzir outro idioma. Comparar passagens e até pedir ajuda à inteligência artificial para montar o roteiro.

Mas nenhuma tela reproduz completamente o vento no rosto, o cheiro de uma comida chegando à mesa, uma conversa inesperada com alguém do lugar ou aquela sensação difícil de explicar quando finalmente estamos diante de uma paisagem que vimos dezenas de vezes pela internet.

Tecnologia não precisa substituir a viagem.

Pode fazer justamente o contrário: despertar a vontade de viajar.

28 anos depois

Talvez seja exagero estabelecer uma única data para dividir o mundo entre antes e depois da internet. A transformação digital foi construída por muitas tecnologias, empresas e pessoas.

Mas é difícil olhar para os últimos 28 anos sem reconhecer o tamanho da mudança que o Google ajudou a provocar na maneira como encontramos informação — e, consequentemente, na maneira como descobrimos lugares.

O mundo não ficou menor.

Nós é que ganhamos novas formas de enxergá-lo.

Hoje podemos atravessar oceanos pela tela, caminhar virtualmente por cidades onde nunca estivemos e descobrir um pequeno destino a milhares de quilômetros de distância.

Mas depois de toda essa tecnologia, continua existindo um botão que nenhuma inteligência artificial consegue apertar por nós:

sair de casa.

Porque pesquisar desperta a curiosidade.
Conhecer pela tela inspira.
Mas viajar...

Viajar ainda precisa ser vivido.

Bella Trip — Caminhei, Vivi, Contei.

Receita de Turismo

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