ABAV Expo 2026 reúne mercado turístico em São Paulo para discutir negócios, tecnologia e distribuição

Feira aproxima agentes, destinos, operadoras, empresas de tecnologia e lideranças do setor em meio ao desafio de transformar o potencial turístico brasileiro em produto comercializável.

Redação Revista Receita Turismo | 27/09/2026

ABAV Expo 2026 reúne mercado turístico em São Paulo para discutir negócios, tecnologia e distribuição

Gustavo Lopes de Souza, Ana Carolina Medeiros e Mônica Samia durante coletiva de imprensa da ABAV Expo 2026, em São Paulo. (Juliana Duarte/FSB)

O Brasil tem um dos maiores produtos turísticos do mundo — mas ainda não sabe vendê-lo na mesma proporção

ABAV Expo 2026 reúne em São Paulo mais de 40 mil visitantes, cerca de 2 mil marcas e parte dos principais atores do turismo brasileiro em um momento decisivo para transformar potencial em mercado

Por Alexandre Richards
Revista Receita de Turismo

O Brasil não tem falta de produto turístico.

Tem Amazônia, Pantanal, Cerrado, litoral, praias, serras, montanhas, cidades históricas, gastronomia regional, turismo de aventura, natureza, cultura, religião, negócios, eventos, luxo, bem-estar e experiências capazes de atender praticamente todos os perfis de viajantes.

Tem dimensão continental. Tem diversidade climática. Tem paisagens que o mundo inteiro procura.

O desafio é outro.

Transformar toda essa riqueza em produto estruturado, distribuído, conhecido e comercializado na mesma proporção do potencial brasileiro.

É justamente nesse ponto que a ABAV Expo 2026 ganha relevância.

De 30 de setembro a 2 de outubro, o Expo Center Norte, em São Paulo, recebe a feira que a própria organização apresenta como a maior feira de turismo da América Latina. A expectativa oficial é de mais de 40 mil visitantes, mais de 2 mil marcas expositoras, mais de 50 capacitações e cerca de 800 profissionais de mídia circulando pelo evento. A feira tem perfil B2B e reúne agentes de viagens, trade, guias, imprensa, assessorias e profissionais ligados ao setor.

A ABAV Expo, evidentemente, não é uma solução isolada para os desafios do turismo brasileiro.

Mas funciona como uma das ferramentas mais importantes para aproximar quem cria o produto, quem promove, quem distribui, quem compra, quem vende e quem precisa entender para onde o mercado está indo.

O problema não está na falta de atrativos

O país já mostrou que consegue crescer no turismo internacional.

A chegada de visitantes estrangeiros avançou fortemente nos últimos anos, e 2025 terminou com recorde histórico de 9,3 milhões de turistas internacionais. Em 2026, os números continuaram elevados, com 3,74 milhões de chegadas apenas no primeiro trimestre.

O avanço é importante.

Mas o próprio crescimento deixa mais evidente a pergunta que o setor ainda precisa responder:

como transformar diversidade turística em escala de mercado?

Não basta ter o destino.

É preciso posicioná-lo, estruturá-lo, comunicá-lo, qualificá-lo e colocá-lo na frente das pessoas certas.

Entre uma cachoeira extraordinária e o turista que deseja conhecê-la existe uma cadeia inteira: gestores públicos, empresários, receptivos, hotelaria, operadoras, agentes de viagens, tecnologia, transporte, promoção e inteligência de mercado.

É essa engrenagem que decide se um lugar continuará desconhecido ou se conseguirá se transformar em produto turístico competitivo.

O setor já começou a responder

O turismo brasileiro não parte do zero.

Em diferentes frentes, já surgem iniciativas que mostram como parte desse potencial pode ser convertida em valor.

No turismo de luxo, a Brazilian Luxury Travel Association — BLTA trabalha para ampliar a presença do Brasil no mercado internacional, gerar oportunidades para os associados e produzir estudos capazes de orientar o segmento. A entidade também coloca sustentabilidade, turismo regenerativo e inteligência de mercado entre seus objetivos para 2026.

À frente dessa estratégia está Camilla Barretto, CEO da BLTA, que vem defendendo o uso de dados para compreender melhor o comportamento do mercado de luxo brasileiro. O Anuário BLTA 2026 aparece exatamente nesse contexto: como ferramenta para identificar tendências, desempenho e oportunidades do segmento.

A mudança, porém, não está restrita aos grandes centros.

Na AVIRRP 2026, realizada em Ribeirão Preto, Ricardo Alves, da Velle Representações, idealizou o Espaço Cruise Collection, levando para o interior uma área especializada em cruzeiros e viagens de alto padrão. A iniciativa reuniu nove marcas de cruzeiros e recebeu mais de 120 agentes de viagens durante a feira.

O dado mais importante não é apenas o número de marcas ou de participantes.

É o que o movimento representa.

Ao aproximar agentes do interior de produtos sofisticados e fornecedores especializados, o projeto mostra que expansão de mercado também depende de capacitação, acesso e relacionamento comercial.

Tecnologia começa a atacar gargalos antigos

Outra frente dessa transformação está na operação das próprias agências de viagens.

A PassHub, liderada por Alan Matheus Barbosa, surgiu para centralizar fornecedores, simplificar processos e reduzir a fragmentação tecnológica que ainda consome tempo dos agentes. Em apenas nove meses de operação, a plataforma ultrapassou 2 mil agências cadastradas e captou R$ 7,5 milhões em uma rodada destinada ao desenvolvimento de produtos, expansão e ferramentas de inteligência artificial.

Não é apenas uma história de startup.

É um exemplo de como tecnologia pode interferir diretamente na capacidade de venda.

Quando o agente perde menos tempo alternando entre sistemas, comparando condições manualmente ou preenchendo processos repetitivos, sobra mais espaço para aquilo que nenhuma plataforma substitui com facilidade: entender o cliente, interpretar desejos e construir uma viagem coerente.

A feira onde essas peças se encontram

É nessa interseção entre produto, capacitação, distribuição e tecnologia que a ABAV Expo se torna particularmente relevante.

A programação da ABAV Talks prevê quatro arenas e mais de 50 capacitações durante os três dias da feira, abordando temas como inteligência artificial, inovação, ESG, turismo regenerativo, diversidade, tecnologia, tendências e desenvolvimento de destinos.

Ao mesmo tempo, iniciativas como a área de operadoras buscam fortalecer a conexão entre empresas emissivas e agentes de viagens, justamente no ponto em que produto precisa encontrar distribuição.

A ABAV também chega a 2026 cercada por nomes e instituições que ocupam posições importantes na estrutura do turismo brasileiro.

A presidência da entidade está nas mãos de Ana Carolina Medeiros, enquanto o Ministério do Turismo é comandado por Gustavo Feliciano. Na promoção internacional, a Embratur é presidida por Bruno Reis.

Em São Paulo, a Secretaria Estadual de Turismo e Viagens tem à frente Ana Biselli Aidar, e a Secretaria Municipal de Turismo é comandada por Gustavo Lopes de Souza.

Os nomes importam porque representam diferentes peças da mesma engrenagem.

Promoção internacional, políticas públicas, desenvolvimento de destinos, distribuição, comercialização e capacitação se encontram, durante três dias, dentro do mesmo espaço.

“Mais do que três dias de feira”

Às vésperas da abertura, a presidente da ABAV Nacional, Ana Carolina Medeiros, falou com exclusividade à Receita de Turismo sobre a mensagem que a entidade pretende deixar nesta edição.

“A nossa principal mensagem é que o turismo se fortalece quando trabalhamos de forma coletiva, com a união de todos os agentes do setor.”

Na avaliação da presidente, o objetivo é fazer com que os resultados da feira continuem produzindo efeitos depois que os estandes forem desmontados.

“Mais do que três dias de feira, nosso objetivo é que a ABAV Expo gere negócios, deixe conexões e caminhos que continuem impulsionando o turismo brasileiro ao longo de todo o ano.”

A fala sintetiza uma questão central.

O turismo brasileiro talvez não precise mais provar que possui atrativos extraordinários.

Precisa melhorar continuamente a forma como transforma esses atrativos em produto, distribuição, negócio e desejo de viagem.

A Receita de Turismo chega à ABAV com esse debate nas páginas

Parte dessas transformações também estará presente na 4ª edição da Revista Receita de Turismo, que será disponibilizada a partir da ABAV Expo 2026.

A publicação reúne conteúdos sobre turismo de luxo, tecnologia, destinos, experiências, mercado e novas formas de estruturar e comercializar produtos turísticos.

Mais do que coincidir com os temas da feira, essas pautas mostram que algumas das questões que estarão sendo discutidas em São Paulo já fazem parte da agenda editorial da revista.

A Receita de Turismo acompanhará a ABAV Expo 2026 diretamente do Expo Center Norte, com cobertura da abertura, entrevistas, reuniões com destinos, empresas e entidades e acompanhamento dos principais movimentos da feira.

A proposta será ir além do registro dos estandes e dos anúncios institucionais.

Durante os três dias, a pergunta que acompanhará a cobertura será a mesma que atravessa esta matéria:

quanto do enorme potencial turístico brasileiro consegue, de fato, chegar ao mercado?

 

Receita de Turismo

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